25.9.09
7.7.09
Prenez soin de vous
26.6.09
Três
A mais nova estava em seus pijamas, numa sonolência sem fim. Acabaram-se os estudos e agora tinha pela frente 2 mil quilômetros de estrada para alcançar o descanso. Tudo tinha seu lugar no ambiente. Os livros nas prateleiras, as fotos na parede. E, ao percorrer os olhos, me vejo ali estampada ao lado dela em 10x15. Ela frequenta o paraíso, me conta sorrindo. E foi expulsa de lá justamente quando a música estava boa.
O menino do meio cresceu. É bonito e responsável na medida. Diz que ele dá sorte aos negócios. Acredito. Lhe dei um livro de guitarras. Ele pediu licença para retirar uma capa frágil, eu aprovei. Saímos juntos de carro, ele pilotava com tranquilidade. Ouvimos músicas, trocamos impressões sobre solos e riffs. No supermercado apontei uma oferta e dividimos os pacotes até o carro. "Meu cantor preferido morreu assassinado", ele disse. "O meu também", respondi.
Fui embora ouvindo Peter, Paul e Mary enquanto o amor se derramava em silêncio.
19.6.09
Chamada interrompida
12.6.09
Pelas andanças nos blogs queridos, vi que ela e ela estavam a falar sobre o silêncio.
Há meus silêncio dos livros, uma quietude que eu prezo muito. O silêncio da leitura me encanta bastante, porque é um silêncio onde se deslumbra. Um silêncio cheio de sons imaginários, portas e janelas e ambientes a fazer barulho dentro de páginas caladas, imóveis, pétreas.
O silêncio da morte, da partida. A vida que cala os olhos.
O silêncio da casa vazia, dos corações frios - os chinelos se arrastam e os pés sussurram.
O silêncio a ajudar os ladrões de imagens que ficam inertes só para ouvir a respiração do amado a ressonar, cansado dos corpos, ao seu lado.
O silêncio que precede uma boa idéia.
O silêncio da memória a vasculhar o nome do líder sindical da Polônia na década de 1980.
O silêncio da saudade que ameniza uma dor com um sorriso sutil, daqueles de mostrar poucos dentes, mas que enfim celebra um ponto final.
O silêncio dos concentrados e seus rostos severos - esses silêncios me dão vontade de rir (não por escárnio nem maldade; mas para insuflar os outros a suavizar a expressão - nenhum silêncio, por mais difícil que seja, deve ser doloroso).
O silêncio do fim.
11.6.09
Feriado
- Quando voltar, quero a mesa posta.
E foi assim que aquela manhã explodiu.
A mãe levantou-se rápido, deixou o livro aberto, acendeu o fogão. Ela saiu de perto, foi para o quarto e sentou-se à escrivaninha. Respirava com pressa, como se estivesse se preparando para uma fuga. Bateu um vento frio e ela achou que ia chorar, mas não foi o que aconteceu. Era a segunda vez que algum sentimento estranho a invadia (a primeira foi quando aos 24 descobriu ter uma filha de 16). Mas era diferente. Era como se suas entranhas quisessem se desprender. Não era raiva, ódio, ou algum sentimento menos nobre. Era antes uma sensação de estar viva, mesmo em um momento tão adverso. Pulsava apressada, olhou em volta como se a familiaridade do lugar fosse lhe dar um pouco de paz, ou situá-la dentro da rotação apropriada.
Recusou-se a almoçar aquele quadro. Aquelas pessoas, aquela vida. Não se sentia triste. Era só uma posição, um partido que adotava. Tudo bem se respirar fundo. Tossia e sentia um pouco de sangue na garganta. Mas era da existência ferir-se sem querer.